• Prof Dr Alan Hatanaka

Quando está indicado o uso de pessário?

Updated: Dec 12, 2021

O colo uterino é a base do útero e sua principal função na gestação é manter o bebê até o final da gestação. Em alguns casos o colo uterino é mais frágil, ou se torna fraco por algum motivo, como infecções. Uma das maneiras mais eficazes de detectar as alterações no colo uterino é através da ultrassonografia transvaginal para avaliação do colo uterino. Este exame é realizado entre 20 e 24 semanas, na época da ultrassonografia morfológica de segundo trimestre, em pacientes de baixo risco. Nas pacientes com antecedentes de prematuridade espontânea, é realizado a partir do morológico de primeiro trimestre.


Comprimentos do colo menores que 25mm são considerados curtos e a mulher deve utilizar progesterona por via vaginal, pois em comparação ao uso de placebo, reduz a chance de prematuridade < 34 semanas de 26% para 17% (Romero R, et al, Am J Obstet Gynecol. 2018 Feb;218(2):161-180. doi: 10.1016/j.ajog.2017.11.576).


Mas será que conseguiríamos reduzir ainda mais esta taxa? Segundo publicação internacional de dezembro de 2021 (do qual fiz parte da coleta de dados), o uso do pessário reduz a chance de nascimento prematuro com menos de 34 semanas em comparação a progesterona de 13,9% para 9,9% (Pacagnella RC, P5 Working Group; Obstet Gynecol. 2021 Dec 2. doi: 10.1097/AOG.0000000000004634).



Muito importante ressaltar que a experiência e o treinamento influenciam no resultado final. Trabalho publicado pelo nosso grupo de Predição e Prevenção da Prematuridade da Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo, demonstrou que são necessários cerca de 30 colocações de pessário para se atingir a curva de aprendizado. O gráfico de sobrevivência abaixo demonstra três linhas. Cada queda na curva significa nascimento. Assim, o melhor desempenho do tratamento foi quando colocamos pessário após 30 casos, sugerindo que quanto maior o treinamento e experiência, melhores serão os resultados do uso do pessário.


Se o seu colo é curto, converse com seu médico e veja quais as opções viáveis para o tratamento.


Autor: Prof Dr Alan Hatanaka

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