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Ultrassonografia obstétrica
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Exame que utiliza o aparelho de ultrassom para avaliar o crescimento, posição e vitalidade do bebê

Gestar é o momento mais especial na vida de uma mulher e vem repleto de alegrias, inseguranças, dúvidas e memórias. Inúmeras lembranças tornam-se inesquecíveis, mas, sem dúvida, uma das mais especiais é ouvir o coração do bebê pela primeira vez. E esse momento só pode ser possível realizando a ultrassonografia obstétrica.

Nesta página compreenderemos o que é a ultrassonografia obstétrica, como é realizada, quando deve ser feita e o que ela pode detectar.

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O que é ultrassonografia obstétrica?

A ultrassonografia obstétrica é um exame realizado com o principal objetivo de analisar o bem-estar do bebê em desenvolvimento.

O princípio da ultrassonografia obstétrica é a geração de imagens a partir da emissão e reflexão de ondas sonoras de alta frequência. O ultrassom não pode ser ouvido por seres humanos, pois possui frequência acima da nossa capacidade de audição. Esse princípio é semelhante ao utilizado pelos sonares, radares e sistemas de localização.

O transdutor do aparelho de ultrassom emite ondas sonoras através de pequenos cristais e os recebe de volta após refletir no bebê. As informações de distância de cada onda emitida são captadas e processadas por um computador, produzindo imagens que o médico e a paciente podem visibilizar e interpretar.

A reconstrução da imagem pode ser bidimensional (preto e branco), tridimensional (ultrassom 3D), tridimensional com movimento (ultrassom 4D), ou pode avaliar o fluxo dos vasos (Dopplervelocimetria).

A principal dúvida em relação à ultrassonografia obstétrica é: “Ela é segura?”

A ultrassonografia obstétrica é segura para o bebê, mesmo com idades gestacionais iniciais. Estudos demonstram que a potência utilizada pelos aparelhos de ultrassom não é capaz de aumentar a temperatura de embriões, pois há perda do calor nos tecidos maternos. Mesmo se considerássemos a incidência direta em todo o embrião, o aumento da temperatura seria apenas de 0,2ºC, incapaz de gerar malformações.

Como a ultrassonografia obstétrica é feita?

A ultrassonografia obstétrica é realizada de forma diferente de acordo com a idade gestacional.

No primeiro trimestre, em virtude do pequeno tamanho do embrião, é necessário realizar o exame por via vaginal. O transdutor, sempre higienizado previamente com desinfetante hospitalar de secagem rápida (Optigerm, SurfaSafe), é recoberto por preservativo e introduzido por via vaginal com uso de gel hipoalergênico à base de água.

No segundo e terceiro trimestres, o exame é realizado por via abdominal com a paciente em posição semi-sentada, ou seja, com o encosto elevado. Essa posição é fundamental, pois o peso do útero pode comprimir uma veia do abdome que se chama cava inferior. Esta compressão pode fazer a pressão arterial materna cair rapidamente, provocando até desmaios.

O médico utiliza o transdutor do ultrassom como se fosse uma câmera, sendo possível captar o bebê em diversos ângulos. O gel abdominal deve ser aquecido para maior comodidade da mulher.

A duração do exame é muito variável, pois depende da presença ou não de alterações. Enquanto exames totalmente normais duram em torno de 20 a 25 minutos, exames com grandes alterações podem levar mais de uma hora.

Como funciona o ultrassom obstétrico com Doppler?

A ultrassonografia obstétrica com Doppler tem como objetivo obter a velocidade de fluxo de alguns vasos, sendo fundamental para avaliação da anatomia, vitalidade fetal e predição de doenças como a pré-eclâmpsia e a restrição de crescimento fetal.

Hoje em dia, uma adequada ultrassonografia obstétrica não pode ser realizada sem a Dopplervelocimetria colorida e pulsada. Por exemplo, para ouvir o som do coração do bebê, utilizamos o Doppler.

Quando a placenta deixa de funcionar adequadamente, há menor quantidade de oxigênio chegando ao feto. A solução que o feto encontra é realizar dois mecanismos de defesa:

  • Priorizar os órgãos nobres, que são cérebro, coração e suprarrenal. O bebê reduz a resistência dos vasos que nutrem estes órgãos, o que faz chegar mais sangue a eles.
  • Para que se aumente a pressão de chegada aos órgãos nobres, há aumento da resistência da via de saída do sangue fetal, que é a artéria umbilical.

Este mecanismo é chamado de centralização de fluxo e é característico da alteração da vitalidade fetal.

Com 12 semanas de gestação, é realizada a ultrassonografia obstétrica morfológica de primeiro trimestre. Junto a ela, é realizada uma anamnese cuidadosa, a medição da pressão arterial e a Dopplervelocimetria das artérias uterinas. Esse conjunto de procedimentos pode predizer a ocorrência de pré-eclâmpsia (pressão alta da forma grave) e de restrição de crescimento fetal. O uso da aspirina, nestas situações, pode reduzir o risco de pré-eclâmpsia com menos de 34 semanas em cerca de 80%.

Quando fazer a primeira ultrassonografia obstétrica?

A primeira ultrassonografia obstétrica costuma ser indicada após 6 semanas de gestação e tem como principais objetivos:

  • Localização correta: a gravidez nas trompas pode ser diagnosticada nesta época, principalmente com beta hCG > 2000UI;
  • Confirmar a idade gestacional: o ultrassom tem um erro máximo de 5 dias quando realizado entre 6 e 9 semanas;
  • Vitalidade embrionária: após 6 semanas é possível a visibilização dos batimentos cardíacos;
  • Número de embriões: é importante verificar se há gemelaridade, pois existe um aumento de riscos nas gestações múltiplas.

O que a ultrassonografia obstétrica pode detectar?

Além de todas as funções da ultrassonografia obstétrica já discutidas neste artigo, no segundo e terceiro trimestres ela pode dar importantes informações clínicas sobre:

  • Posição do feto;
  • Vitalidade fetal;
  • Anatomia fetal;
  • Peso e crescimento;
  • Placenta;
  • Cordão umbilical;
  • Líquido amniótico;
  • Colo uterino.

Um aspecto pouco discutido da ultrassonografia obstétrica diz respeito aos impactos psicológicos maternos e paternos em relação à gestação. Há necessidade de uma abordagem individualizada para redução da ansiedade familiar. Ressalta-se que no primeiro trimestre a mulher não sente as movimentações fetais, e a ultrassonografia torna-se a principal forma de realização psíquica da maternidade e paternidade. Este contato, mais real com o advento das tecnologias de ultrassonografia 3D e 4D, pode fazer com que a mulher realize a maternidade mais precocemente, reduzindo o risco de blues e depressão puerperal.

Ultrassom obstétrico descobre o sexo do bebê?

Durante a ultrassonografia obstétrica morfológica de primeiro trimestre, pelo menos acima de 12 semanas e 3 dias, é possível ter uma acurácia de mais de 90% na detecção do sexo fetal. Essa determinação tem bastante influência da experiência do examinador, mas, de fato, não há como garantir 100% de precisão. Após 16 semanas, dificilmente a ultrassonografia erra o sexo fetal, reservando-se aos casos de malformação genital.

O momento de descoberta do sexo do bebê é um marco na gestação e deve ser dada a devida importância e carinho pelo médico que transmite a informação.

Esperamos ter esclarecido a maioria das dúvidas a respeito da ultrassonografia obstétrica; entretanto, é importante lembrar que se trata de um exame extremamente importante e tecnicamente muito difícil, pois exige conhecimento de ultrassom e de Obstetrícia. Se for realizado por profissional pouco experiente ou sem conhecimento sobre a fisiologia feto-materna, pode levar a conclusões incorretas e a consequências muito graves, como a prematuridade extrema e cesáreas desnecessárias.

O Prof. Dr. Alan Hatanaka possui residência, especialização, credenciamento internacional (FMF 40017) e título de especialista em Medicina Fetal (RQE 51.384-1), além de publicar e ensinar sobre o assunto.

Para saber mais sobre ultrassonografia obstétrica, entre em contato e agende sua consulta.

 

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