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Avaliação de vitalidade fetal
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Entenda a importância de analisar sinais de bem-estar e crescimento do feto antes do nascimento

Realizar a avaliação da vitalidade fetal durante a gravidez é fundamental para evitar um dos eventos mais traumáticos para a vida de uma mulher: o óbito fetal. Ocorre em cerca de 1,4% das gestações, e sua incidência vem caindo pela melhora na assistência pré-natal. A avaliação da vitalidade fetal e as estratégias de prevenção de intercorrências maternas são os principais responsáveis por essa redução.

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O que é a avaliação de vitalidade fetal?

A avaliação de vitalidade fetal consiste num conjunto de técnicas para avaliação da falta de oxigênio do feto. Nas situações em que a placenta tem funcionamento deficiente, pode haver alteração dos padrões da frequência cardíaca fetal e da movimentação, redução do tônus muscular, alteração na distribuição de fluxo nos órgãos do bebê e redução da quantidade de líquido amniótico.

A avaliação da vitalidade fetal pode ser realizada por meio da monitorização de movimentos pela própria gestante, por técnicas de ultrassonografia e pela avaliação da frequência cardíaca fetal.

É fundamental que a avaliação de vitalidade fetal seja realizada em aparelhos de boa qualidade e por um médico com título de especialista em Medicina Fetal.

No Brasil, qualquer pessoa pode verificar se o médico possui o título de especialista no site do Conselho Regional de Medicina local. Em São Paulo, basta acessar o site: https://guiamedico.cremesp.org.br/ e digitar o número do CRM do médico. Aquele que possui título de especialista deve ter um número chamado RQE (Registro de Qualificação de Especialidade).

Importância da avaliação de vitalidade fetal durante a gravidez

O principal objetivo do acompanhamento pré-natal é a manutenção da saúde da mãe e do bebê durante toda a gravidez até o momento do parto. Para isso, é fundamental que seja realizado um pré-natal cuidadoso, reconhecendo e tratando os principais fatores de risco. Entretanto, mesmo com medidas preventivas, é necessário realizar a avaliação de vitalidade fetal para que os riscos sejam minimizados.

De maneira surpreendente, existe falta de evidências de alta qualidade utilizando trabalhos randomizados (melhor tipo de trabalho científico que existe) demonstrando que a avaliação de vitalidade fetal reduza o risco de óbito. Entretanto, há uma explicação lógica para isso. Um trabalho randomizado exigiria que metade das gestantes inclusas ficasse sem vigilância fetal anteparto, o que não é considerado ético; portanto, nem o pesquisador, nem a paciente concordariam em realizá-lo.

Assim, fica clara a importância em realizar a avaliação de vitalidade fetal durante o pré-natal.

Em que casos a avaliação de vitalidade fetal é indicada?

De modo geral, toda mulher grávida deve realizar alguma avaliação de vitalidade fetal. Existem algumas situações que exigem maior atenção do obstetra, sendo as principais:

  • Restrição de crescimento fetal;
  • Doenças hipertensivas;
  • Trombofilias;
  • Oligoâmnio;
  • Antecedente de óbito fetal;
  • Infecções congênitas (toxoplasmose, citomegalovírus, parvovírus, Coxsackie);
    • Diabetes;
    • Gestação gemelar;
    • Redução da movimentação fetal;
    • Lúpus eritematoso sistêmico;
  • Trabalho de parto prematuro;
    • Aloimunização;
    • Idade gestacional maior que 40 semanas;
  • Idade materna avançada.

Como é feita a avaliação?

Para a avaliação de vitalidade fetal, deve-se ter em mente que, frente à falta de oxigênio vindo da placenta, como mencionado anteriormente, podem ocorrer alterações dos padrões da frequência cardíaca fetal e da movimentação, redução do tônus muscular, alteração na distribuição de fluxo nos órgãos do bebê e redução da quantidade de líquido amniótico.

Quais métodos são utilizados na avaliação de vitalidade fetal?

Diversos exames podem ser realizados durante a avaliação de vitalidade fetal. Os mais comuns são:

  • Mobilograma: nesse exame, a mãe analisa a movimentação do feto. Há uma redução da chance de óbito fetal de 8% — entretanto, com significância limítrofe (RR: 0.92; IC: 95%, 0.85–1.00). Por outro lado, há aumento mínimo da chance de parto prematuro, indução de parto e parto cesáreo.
  • Cardiotocografia: exame que registra, por meio de eletrodos em contato com a mãe, contrações uterinas, movimentos fetais e a frequência cardíaca do bebê. Quando realizada antes do trabalho de parto, é fundamental que seja com o aparelho de cardiotocografia computadorizada, pois a convencional tem maiores taxas de falsas alterações, levando a partos prematuros desnecessários. Assegure-se de que o aparelho que foi utilizado seja computadorizado e forneça o parâmetro chamado short term variation. Durante o trabalho de parto, existem duas classificações, a do Colégio Americano (ACOG) e a da Federação Internacional de Obstetrícia e Ginecologia (FIGO). Elas devem ser obedecidas para reduzir as cesáreas desnecessárias.
  • Perfil biofísico fetal: nesse exame, são avaliados cinco parâmetros de vitalidade (movimentos respiratórios, movimentos corporais, tônus, líquido amniótico e cardiotocografia). Cada item vale 2 pontos, num total de 10, e, via de regra, o total ≤ 6 é considerado alterado.
  • Doppler: avalia a velocidade de fluxo no bebê e na mãe. É o padrão ouro para fetos pequenos, pré-eclâmpsia e trombofilias. Fetos que estão com baixa oxigenação tendem a priorizar o fluxo em órgãos nobres, como cérebro, suprarrenal e coração. Isso pode ser visto pela Dopplervelocimetria. Em fetos pequenos, o Doppler da artéria umbilical, cerebral média, uterina e ducto venoso determinarão o momento do parto.

Benefícios da avaliação de vitalidade fetal

Além da redução do risco de óbito fetal já discutida neste texto, a avaliação de vitalidade fetal tem o benefício de tranquilizar a família em relação ao bem-estar fetal. É fundamental para determinar o momento do nascimento em gestações de bebês com restrição do crescimento.

A cardiotocografia anteparto deve ser realizada com aparelho computadorizado, e a intraparto obedecer aos parâmetros do ACOG ou da FIGO.

Por serem exames de difícil realização e interpretação, é fundamental que sejam realizados por um especialista em Medicina Fetal. Exames malfeitos ou mal-interpretados podem prejudicar o bebê, pois podem ocasionar partos prematuros e cesáreas desnecessárias.

O Prof. Dr. Alan Hatanaka possui residência, especialização, credenciamento internacional e título de especialista em Medicina Fetal, além de publicar e ensinar sobre o assunto. Um dos ensinamentos mais importantes que o Prof. Dr. Alan Hatanaka passa aos alunos e residentes a respeito da avaliação de vitalidade fetal é que todo casal necessita de acolhimento antes da aplicação de qualquer técnica de avaliação fetal.

Para saber mais sobre avaliação de vitalidade fetal ou outros assuntos, entre em contato e agende já sua consulta.

Fontes:

  1. American College of Obstetricians and Gynecologists. Antepartum Fetal Surveillance. Obstetrics & Gynecology. 2021 Jun;137(6):e116–27.
  2. Caroline Signore, Catherine Spong. www.uptodate.com. 2023. Overview of antepartum fetal assessment.
  3. Ayres‐de‐Campos D, Spong CY, Chandraharan E. FIGO consensus guidelines on intrapartum fetal monitoring: Cardiotocography. International Journal of Gynecology & Obstetrics. 2015 Oct 30;131(1):13–24.
  4. American College of Obstetricians and Gynecologists. ACOG Practice Bulletin No. 106: Intrapartum Fetal Heart Rate Monitoring: Nomenclature, Interpretation, and General Management Principles. Obstetrics & Gynecology. 2009 Jul;114(1):192–202.
  5. American College of Obstetricians and Gynecologists. Fetal Growth Restriction. Obstetrics & Gynecology. 2021 Feb;137(2):e16–28.