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Consulta Pré-Concepcional
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Muitas doenças da gestação só podem ser prevenidas com intervenções antes da gravidez. A consulta pré-concepcional é o primeiro passo para uma gestação saudável.

Todo casal que idealiza ter um filho imagina um bebê saudável, vindo de um parto emocionante e um pré-natal sem intercorrências. Entretanto, há uma distância muito grande entre a idealização e o correto planejamento. No Brasil, 62% das mulheres referem ter tido pelo menos uma gestação não planejada, com maior percentual entre as mulheres que utilizam o sistema público de saúde (65%) em relação ao sistema privado (55%).

Mulheres com gestações não planejadas perdem a oportunidade de realizar a consulta pré-concepcional. Existem inúmeras doenças que só podem ser prevenidas quando a pesquisa e o tratamento são realizados antes mesmo de a paciente engravidar.

O Prof. Dr. Alan Hatanaka defende, em suas aulas na Escola Paulista de Medicina (Universidade Federal de São Paulo) e nos principais congressos de Ginecologia e Obstetrícia do Brasil, que, se nosso país quer melhorar os altíssimos números de razão de mortalidade materna e mortalidade neonatal, é fundamental estruturar os serviços de saúde e realizar uma campanha estimulando a consulta pré-concepcional.

Muitas decisões no pré-natal e no parto deverão ser tomadas pela mulher e orientadas pelo seu obstetra. Exatamente por essa razão, é de grande importância estabelecer um forte vínculo de confiança com o médico antes mesmo da gravidez. Isso só será possível através de uma consulta pré-concepcional adequada.

Qual a importância da consulta pré-concepcional?

Sem dúvida, os desfechos mais trágicos de uma gravidez são o óbito neonatal e o óbito materno. A maior causa de mortalidade neonatal é o parto prematuro, seguido pelas malformações. As maiores causas de morte materna no Brasil são as doenças hipertensivas, seguidas por causas hemorrágicas. Infelizmente, no Brasil, nem o óbito neonatal nem a razão de mortalidade materna vêm reduzindo ao longo das últimas décadas.

Para que se possa prevenir as síndromes hipertensivas da gestação, é essencial que, antes de a mulher engravidar, seu peso esteja adequado e que ela tenha hábitos de vida saudáveis. A obesidade é um dos principais fatores de risco evitáveis da pré-eclâmpsia, mas dados de 2023 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) do Ministério da Saúde mostram que o número de gestantes obesas e com sobrepeso vem aumentando rapidamente, perfazendo 55% das mulheres grávidas no Brasil. Intervenções com a ajuda de uma equipe multiprofissional especializada devem ser orientadas na consulta pré-concepcional.

Considerando que as hemorragias durante o parto e puerpério são a segunda causa de óbito materno, devemos compreender que existem alguns fatores de risco para hemorragias, que podem ser corrigidos na consulta pré-concepcional, como os leiomiomas e as malformações uterinas. Mulheres com grande quantidade de leiomiomas devem retirá-los antes da gestação, principalmente os do tipo submucoso. Já as pacientes com malformações uterinas, como útero septado, podem corrigir a anatomia uterina através de uma cirurgia relativamente simples, chamada histeroscopia.

Quanto à prematuridade, além de tratar a obesidade, inúmeras intervenções devem ser tomadas na consulta pré-concepcional. Parar de fumar é uma delas, pois o fumo aumenta em quase 50% o risco de parto prematuro, principalmente através da rotura prematura pré-termo de membranas ovulares (a popularmente chamada “bolsa rota”).

Inúmeras doenças clínicas devem ser rastreadas e tratadas na consulta pré-concepcional, pois isso reduz a ocorrência de prematuridade e outros desfechos desfavoráveis. É essencial rastrear e tratar a anemia, hipotireoidismo, hipertensão, diabetes e as infecções, principalmente as genitais e infecções sexualmente transmissíveis, grandes responsáveis pelo parto prematuro.

O tratamento dessas doenças durante a gestação, na maioria das vezes, não reduz o risco de parto prematuro. Por essa razão, é fundamental tratá-las no período pré-concepcional.

Quanto às malformações, é imprescindível que toda mulher que não esteja utilizando método contraceptivo utilize ácido fólico de 400 a 800 mcg todos os dias. O uso de ácido fólico um mês antes da concepção e durante o primeiro trimestre reduz o risco de anencefalia e espinha bífida em mais de 50%. Essa informação é uma das bases da consulta pré-concepcional.

É importante desmentir algumas notícias falsas que circulam na internet a respeito do ácido fólico. Primeiro que ele não aumenta o risco de transtorno do espectro autista, mas sim reduz o seu risco, conforme recente artigo de revisão publicado na revista Journal of Autism and Developmental Disorders.

Também é importante destacar que o metilfolato (forma ativa do ácido fólico, que é sintético) não se mostra superior ao ácido fólico na redução dos defeitos de fechamento do tubo neural, mesmo em mulheres com mutação da enzima metilenotetrahidrofolato redutase (MTHFR). Na verdade, a única forma de folato que comprovadamente previne o defeito de fechamento do tubo neural é o ácido fólico. Essa informação pode ser encontrada no próprio site do CDC ou nas suas redes sociais.

O leitor pode confirmar pessoalmente a informação pelo link: https://www.cdc.gov/ncbddd/folicacid/mthfr-gene-and-folic-acid.html

Ainda considerando a prevenção de malformações fetais, na consulta pré-concepcional deve-se chamar a atenção para a importância de uma vida saudável e para alguns hábitos como:

  • Cessar a ingestão de álcool em qualquer quantidade;
  • Realizar as medidas de prevenção da infecção por toxoplasmose (que podem ser encontradas em artigo dedicado a essa doença);
  • Avaliar segurança de todos os medicamentos, vitaminas e tratamentos estéticos;
  • Atualizar o calendário vacinal, principalmente para as doenças que podem causar malformações na gestação e para as vacinas que não podem ser administradas durante o período gestacional.

Como é feita a consulta pré-concepcional?

A consulta pré-concepcional deve ser realizada assim que a mulher pensar em ter um filho, mas é importante que ocorra pelo menos três meses antes da gravidez. Isso porque, além de uma anamnese cuidadosa e do exame físico, a mulher deve realizar exames laboratoriais, de imagem e, às vezes, cardiológicos. Seus resultados podem demorar, e muitos tratamentos resultantes da avaliação destes demandam tempo.

Além da consulta pré-concepcional, o médico deve estar atento à importância da equipe multidisciplinar. O nutricionista e o educador físico são essenciais para o controle de peso e para a mulher manter hábitos de vida saudáveis. Muitas vezes, há necessidade do auxílio de um endocrinologista, cardiologista, gastrocirurgião, cirurgião vascular e odontologista, para tratamento de doenças pré-existentes.

Os problemas psiquiátricos e psicológicos representam um problema muito frequente na mulher moderna, e o auxílio de psiquiatra e psicólogo especializados em gravidez faz-se determinante para uma gravidez saudável. Lembro que muitas medicações utilizadas em psiquiatria podem gerar malformações graves.

Não menos importante, na consulta pré-concepcional deve ser lembrada a importância do pré-natal do pai. O homem deve estar saudável e psicologicamente preparado para a gestação, devendo ser consultado por um clínico ou urologista.

Para quais mulheres a consulta pré-concepcional é indicada?

A consulta pré-concepcional está indicada para toda mulher que pretende engravidar, mesmo para aquelas que já têm filhos.

Decidir quem será o obstetra durante a jornada mais importante da vida de uma família é uma das decisões mais difíceis da maternidade. Assim, é fundamental que a primeira consulta com o obstetra seja realizada antes mesmo de a mulher estar grávida.

Esse momento é fundamental para estabelecer o vínculo de confiança com o médico. É preciso que a mulher saiba que será a protagonista no parto, tendo suas vontades e necessidades respeitadas, mas sem abrir mão da segurança para ela e seu bebê.

Orientações e exames na consulta pré-concepcional

Na consulta pré-concepcional, após cuidadosa anamnese e exame físico, serão solicitados exames baseados na necessidade de cada mulher e serão dadas orientações comuns a todas as “tentantes”.

Deve-se orientar a mulher a ter hábitos de vida saudáveis e estar com seu índice de massa corporal adequado, ou seja, entre 18 e 24 kg/cm2. Os exercícios físicos moderados são benéficos na gravidez e devem ser estimulados já no período pré-gestacional.

Conforme citado acima, é fundamental iniciar o uso de ácido fólico de 400 a 800 mcg por dia, suspendendo a ingestão alcoólica, o tabagismo e o uso de drogas ilícitas. Recentemente, aumentou a preocupação com o uso de cigarros eletrônicos durante a gestação. É importante deixar claro já na consulta pré-concepcional que seu uso pode ser prejudicial ao bebê e à gestante.

O cuidado com a higiene dos alimentos deve ser redobrado, principalmente em função da possibilidade de contaminação pelo Toxoplasma gondii de saladas, legumes e frutas mal-lavados e carnes malpassadas. Por outro lado, não podemos deixar de ressaltar a importância destes alimentos, que são ricos em vitaminas, nutrientes e antioxidantes.

Na consulta pré-concepcional deve-se alertar sobre a importância da infecção por Listeria monocytogenes. A listeriose é uma doença bacteriana que, apesar de relativamente rara (4/100.000 gestantes), causa abortamento e óbito fetal em uma a cada quatro mulheres infectadas. Qualquer alimento em decomposição pode estar contaminado por Listeria, e devemos chamar a atenção para alguns em especial: queijos com fungos, frios, leites não pasteurizados, queijos frescos, queijo de cabra, salsicha, patês, maionese, vinagrete e carnes cruas.

A carteira de vacinação deve ser avaliada, com especial atenção às vacinas que não podem ser dadas na gravidez, como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), a de febre amarela e, para as que têm indicação, a de HPV e herpes zoster.

Quanto aos exames subsidiários, deverão ser individualizados para cada mulher, mas uma pesquisa básica deve ser feita com alguns exames como:

  • Hemograma e ferritina;
  • Glicemia de jejum;
  • Urina 1 e urocultura;
  • Tipagem sanguínea e teste Coombs indireto;
  • TSH (hormônio tireoestimulante);
  • Papanicolaou (colpocitologia oncótica);
  • Sorologias para HIV, sífilis, hepatites B e C, toxoplasmose e citomegalovírus;
  • Pesquisa de infecções vaginais como clamídia, micoplasma, ureaplasma, vaginose bacteriana, candidíase e tricomonas;
  • Ultrassonografia transvaginal, de mamas, de abdome e de tireoide;
  • Mamografia para mulheres com mais de 40 anos.

Por que se consultar com o Prof. Dr. Alan Hatanaka?

O Prof. Dr. Alan Hatanaka é formado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia e, posteriormente, em Medicina Fetal, ambas pela mesma instituição. Obteve os títulos de mestrado e doutorado, tornando-se professor adjunto do Departamento de Obstetrícia da EPM/UNIFESP.

Como chefe da disciplina de Obstetrícia Fisiológica da EPM-UNIFESP, ensina e pratica o atendimento humanizado, que consiste em valorizar o protagonismo da mulher no pré-natal e no parto, sempre considerando as melhores evidências científicas para que o nascimento ocorra com segurança.

Para saber mais sobre como é a primeira consulta com o obstetra, marque uma consulta com o Prof. Dr. Alan Hatanaka.